EMiLiANA

Notas sobre a tradução de poemas de Emily Dickinson

<< August 2008 >>
Sun Mon Tue Wed Thu Fri Sat
 01 02
03 04 05 06 07 08 09
10 11 12 13 14 15 16
17 18 19 20 21 22 23
24 25 26 27 28 29 30
31








Friday, June 13, 2008
Alterações

Listo em seguida as alterações que resolvi fazer nos versos de alguns poemas. Essas alterações são decorrentes de uma releitura ainda não definitiva do livro, porque feita de forma aleatória, e, além  propor a correção de equívocos, refletem meu gosto estético, e não se referem a qualquer problema de edição.

Pág.:    De:                                                             Para:

43       Para o Escuro iludir.                                   Para o Escuro não vir.

47       O Acre que um Pássaro queria                   O Acre que uma Ave escolheria

53       Ó mel de breve odor,                                  Ó mel de breve olor,

93       Num seco Insinuar                                     Num morno Insinuar

133     Já sem tanta presteza                                  Já sem muita presteza - 

147     Onde eu a enfiei -                                       Onde eu a guardei - 

149     Sentirão sua falta                                        Vão sentir sua falta

193     Como topar um fidalgo                                Como ao topar um fidalgo

227     E se curvando - a me fitar Altivo -               E a se curvar - Altivo me fitando - 

231     Deitei-me e fui dormir -                               E fui dormir - 

261     Melhor me dou sem despedida                    Melhor me vou sem despedir-me

269     Elegia não tem!                                          Só Elegia tem!

 

A essas alterações deve-se acrescentar, é claro, a infame errata para a página 217 (em vez de “Se na Balança - os põem -”, leia-se “Se na Balança - os pões -”), este, sim, um erro de edição, e ainda bem que o único.

 

José Lira

Posted at 6/13/2008 by liraj
Make a comment  

Monday, April 28, 2008
Tentativas

Finding is the first Act

The second, loss,

Third, Expedition for

The “Golden Fleece”

 

Fourth, no Discovery -

Fifth, no Crew -

Finally, no Golden Fleece -

Jason - sham - too.

 

J870 F910

 

Fiz duas traduções deste poema, nenhuma delas aproveitada em meu livro. Duas tentativas mal-sucedidas. A primeira é uma “recriação” e a segunda, uma “invenção”. Nas recriações, busco sempre que possível uma equivalência formal com o poema original. Nas invenções, ao contrário, a tradução é mais uma “atualização” ou “modernização” do texto-fonte:


Primeiro Ato - encontrar -
Segundo Ato - perder,
Terceiro - o “Tosão de Ouro”
Mar afora obter

Quarto - não há o que achar -
Quinto - nem Tripulação -
Enfim - nem Tosão de Ouro -
E é falso - Jasão.

 

Esta é a recriação. Não gosto do quarto verso da primeira estrofe, que parece ter sido “arranjado” apenas para obtenção da rima. É de ver a anástrofe (inversão), da qual falei em nota anterior. São coisas desse tipo, difíceis de contornar, que às vezes marcam uma tradução como inferior ao texto original. Ainda vou ver se encontro algo melhor.

 

Ato I
o encontro
Ato II
a perda
Ato III
a expedição em busca
do Tosão de Ouro

Ato IV
nada é descoberto
Ato V
nada de argonautas
nada de Tosão
nem de Jasão
(The End)

 

Nesta invenção não me agrada também o último verso. O poema todo está estruturado como o resumo de uma peça teatral e acho que precisa de um desfecho menos banal e óbvio como esse.

 

José Lira

Posted at 4/28/2008 by liraj
Comments (2)  

Tuesday, April 15, 2008
Pequeninos nadas

Visando estabelecer critérios de comparação entre as poéticas ocidental e oriental, Earl Miner diz que os elementos constitutivos desta última são “a cena, a natureza, o mundo observável” (jing), seguidos de uma “resposta humana afetiva” (qing), em contraposição à metaforização centrada no uso das palavras, que é a característica essencial de nossa literatura europeizada. Em meio a alguns textos clássicos da lírica chinesa e japonesa, Miner situa um poema de Emily Dickinson cuja estrofe inicial, em sua opinião, dá uma idéia desse equilíbrio entre jing e qing que permeia a obra dickinsoniana e a aproxima da poética oriental. Estas observações foram extraídas de meu livro Emily Dickinson e a Poética da Estrangeirização, Recife, PPGL/UFPE, 2006. Eis, na íntegra, o poema citado por Miner, seguido de minha tradução, até agora inédita:

 

There’s a certain Slant of light,
Winter Afternoons -
That oppresses, like the Heft
Of Cathedral Tunes -
     
Heavenly Hurt, it gives us - 
We can find no scar,
But internal difference,
Where the Meanings, are - 

None may teach it - Any - 
‘Tis the Seal Despair - 
An imperial affliction
Sent us of the Air - 

When it comes, the Landscape listens - 
Shadows - hold their breath - 
When it goes, ‘tis like the Distance
On the look of Death - 

 

J258 F320

A luz tem certa Obliqüidade

Nas Tardes Hibernais

Que nos oprime, como o peso

De Sons de Catedrais - 

 

Fere com Celeste Chaga - 

Não se vê cicatriz - 

Mas onde estão os Sentidos

Um íntimo matiz - 

 

É o Selo do Desespero - 

Não o explica - Ninguém - 

Uma imperial angústia

Que pelo Ar nos vem - 

 

Chega - a Paisagem fica à escuta - 

As Sombras - a arquejar - 

Parte - e é como na Distância

A Morte a nos mirar - 

 

Tentei obter, nesta recriação, uma dicção aproximada à da autora, além de manter alguma semelhança com o esquema métrico original, que é mais longo na primeira e na última estrofe (mais ou menos assim: 7-5-7-5, 6-5-6-5, 6-5-6-5, 7-5-7-5). Na tradução ficou: 8-6-8-6, 7-6-7-6, 7-6-7-6, 8-6-8-6. Mas descambei na rigidez da alternância de versos graves e agudos, que não está presente em todas as estrofes do original, e a tradução padece, em vista disso, de certa afetação. Este poema me deu tanto trabalho para traduzir que resolvi, por curiosidade, dar uma espiada nas traduções brasileiras e portuguesas que, com a ajuda do Prof. Carlos Daghlian, consegui reunir, para ver como se saíram os meus colegas daqui e d’além-mar. Alguns encontraram soluções interessantes, mas, da mesma forma que eu, ninguém conseguiu resolver todos os problemas. É evidente que não há espaço aqui para a reprodução dos poemas, mas todas as traduções podem ser vistas em

www.ibilce.unesp.br/emilydickinsoninbrazil (à exceção da minha, é claro, que divulgo aqui em primeira mão).

A escolha lexical foi com certeza crucial para todos os que se aventuraram com mais esmero na tradução deste poema. ‘Slant of light’, já no primeiro verso, deu, por exemplo, além de minha opção (usada por outros): ‘declinar de luz’; ‘declínio da luz’; Inclinação da luz’; ‘Viés da luz’; ‘Luz Enviesada’, entre outras, além de Facho de luz’, que me parece um equívoco. Uns usaram ‘tardes invernais’, e outros, ‘tardes hibernais’ para traduzir ‘Winter Afternoons’. Se me perguntassem por que preferi a segunda opção, eu diria: talvez por eu ser nordestino, pois ’invernais’ me lembra apenas chuva (e no Nordeste, no inverno, também há dias de chuva quentes e abafados), e ‘hibernais’ me sugere neve e frio, o branco frio amherstiano. ‘Celeste Chaga’ recupera parcialmente (quase que só visualmente) a aliteração ‘Heavenly Hurt’, à qual poucos deram atenção. No meio da profusão de equivalências para essa expressão (‘Dor celestial’; ‘Celestial ferimento’; ‘Ferida celestial’; ‘celeste golpe’), vi que minha opção é a mesma usada por Olívia Krähenbühl, que foi quem primeiro reuniu em livro, no Brasil, alguns poemas de ED, e, de modo similar (‘chaga celeste’), por outros dois autores. Paulo Henriques Britto foi o único que conseguiu, com ‘Dor Divina’, recriar a aliteração. A repetição ‘When it comes’ / ‘When it goes’ dos versos ímpares do último quarteto foi resolvida por mim com economia (‘Chega’ / ‘Parte’), e isto é uma das poucas coisas que me agradam no texto. Nem todos se preocuparam com esse detalhe. Por último, é fácil observar que o primeiro quarteto deu, em princípio, rimas em ‘ais’ de graça para todo o mundo, mas os demais cobraram caro. Fiz questão de usar rimas perfeitas, raras em poemas de ED, ainda que à custa das inversões no segundo e terceiro quartetos. Também em razão da tirania da rima, meus dois últimos versos não dão conta nem têm a mesma força poética do original. Experimentei “Parte - e é como na Distância / A Morte e seu olhar”, que me pareceu ainda menos eficaz. Mas vi que mesmo os que optaram por não rimar (cerca de metade dos tradutores) não se saíram tão bem nesses versos finais. Como diz Manuel Bandeira, “a poesia é feita de pequeninos nadas”. E a tradução poética, diria eu, de muito menos se faz.

 

José Lira

Posted at 4/15/2008 by liraj
Make a comment  

Tuesday, April 08, 2008
Diretidades

I sing to use the Waiting,

My Bonnet but to tie

And shut the Door unto my House

No more to do have I

 

Till His best step approaching

We journey to the Day

And tell each other how We sung

To Keep the Dark away.

 

J850 F955

 

Eu canto para usar a Espera -

À Touca a fita atada

E posta a tranca em minha Porta

Mais a fazer não há

Até que ao soarem os Seus Passos

Seguimos para o Dia

A nos dizer como cantamos

Para o Escuro iludir.

 

Escolhi este poema para abrir meu livro (p. 43), o qual não obedeceu a nenhum critério cronológico ou temático na apresentação dos textos, porque ele é, para mim, uma verdadeira profissão de fé: enquanto espera (a fama, a morte, o amor?), Emily Dickinson canta, isto é, compõe sua obra poética na puritana solidão do quarto de solteira. Já disse isso neste blog em minha nota de 15/11/05, que reproduzi no ensaio “Traduzir Emily Dickinson: Um Convite à Experimentação” (Letra Viva, UFPB, 2006, p. 141-155) e que transcrevo em seguida, com algumas alterações. Antes, porém, devo reafirmar o que disse em nota de 04/01/08: não há erro de impressão neste e, possivelmente, em nenhum outro texto do livro (salvo o da p. 217, “O cérebro é mais amplo do que o céu”, do qual já falei aqui). O que há, neste como em vários outros poemas, são problemas de dicção (que tento justificar ou corrigir aqui).

O ‘Eu’ do verso inicial – dizia eu – pode soar como um anglicismo dispensável, mas não vi como acomodar a métrica sem ele, e afinal há muitos poemas em nossa língua que começam assim: “Eu cantarei de amor tão docemente” (Camões); “Eu canto porque o instante existe” (Cecília); “Eu quero compor um soneto duro” (Drummond); “Eu faço versos como os saltimbancos” (Quintana); “Eu faço versos como quem chora” (Bandeira) são alguns poucos exemplos que me vieram à memória.

Os versos ímpares eram decassílabos numa primeira versão: “Eu canto para aproveitar a Espera”, “Ponho a tranca na Porta e em Casa fico”, “Até que ao se aprestarem os seus Passos”, “Um ao outro dizer como cantamos”. Walter Costa, meu amigo e preceptor, il miglior critico, já me havia advertido: “Esses versos têm palavras demais”. Quando comecei a traduzir ED, além de não valorizar tanto a busca de uma dicção poética próxima da sua, eu me sentia mais à vontade, em minhas “imitações”, com os decassílabos clássicos, como ex-cordelista pouco afeito ao verso de oito sílabas, o qual, junto com o de seis, ela usa em quase todos os seus poemas. Já nas “recriações”, que hoje pratico com mais assiduidade, procuro me manter nos limites desses versos. Mas é de ver que é difícil: das quarenta e seis palavras deste poema, no original, quarenta e uma têm uma sílaba apenas. É isso que Paulo Vizioli chama de “discrepância silábica” entre o inglês e o português.

Também o último verso pode soar estranho para quem o confronte com o original. Uma tradução mais direta e talvez melhor seria algo como “Para o Escuro não vir”, fugindo do fantasma da inversão, que muitos consideram um recurso banal e um exemplo cabal de submissão à rima. Mas esse recurso, em minha opinião, não é tão abominável como o pintam. É ademais comum em poemas narrativos (e este poema não deixa de ser uma breve narrativa). Sirvam de exemplo os textos derivados do cancioneiro ibérico, a começar por García Lorca (“Su luna de pergamino / Preciosa tocando viene”), passando por Mário de Andrade (“A serra do Rola Moça / Rola Moça se chamou”) e Cecília Meireles (“Mas os meninos risonhos / Pelas varandas estão”), além de outros menos lembrados como Onestaldo de Pennafort (“Vinham sete cavaleiros / Sua dama disputar”) e Carlos Pena Filho (“Pois cada qual sente um gênio / Dentro de si borbulhar”), chegando a João Cabral (“Muito bom dia, senhora, / Que nessa janela está”). Mesmo usando o verso livre em poemas de feitio mais atual, que a rigor dispensariam esse recurso, pois não sofrem injunções de métrica ou de rima, Carlos Drummond, federalíssimo poeta, não foge das inversões: “Do padre cansado o murmúrio de reza / Subia às tábuas do forro”. A inversão até poderia ser considerada uma marca da poesia em contraposição à prosa.

Num texto que joga magistralmente com as fronteiras entre a prosa e a poesia, o “poeta-crítico em prosa porosa” Augusto de Campos diz que “a constrição da métrica e da rima / impõe alguns deslocamentos / no próprio original / mas o critério prevalente / é o da diretidade / da linguagem”. Até aqui tudo bem: o autor defende a sua tradução de um verso de Dante, em confronto com outras, por ser mais consentânea com o original, e em seguida afirma que “verter / não / inverter [é] / uma das normas / básicas / da tradução”. Esta seria a teoria. Na prática, no entanto, este verso de Emily Dickinson:

 

The day was warm, and winds were prosy

 

que é um exemplo de “diretidade” em língua inglesa, é assim traduzido por Campos:

 

Quente era o dia, tédio os ventos

 

com uma dupla inversão que está em flagrante desacordo com a sua preconizada “norma básica”.

 

Emily Dickinson não tem nada a ver com isso tudo, é claro. Essas observações (quase dizia digressões) servem apenas para justificar um detalhe que não ocorre no seu poema e sim na minha tradução. Mas ela também usa inversões desse tipo (e outras até bem mais bruscas) em alguns de seus poemas. Detalhes como esse, que para a maioria são miudezas insignificantes, têm muita importância para os críticos e teóricos da tradução, pois às vezes modificam a dicção do poema, anulando ambigüidades e implicações presentes no original ou, ao contrário, instaurando outras implicações ou ambigüidades na tradução.

 

José Lira

Posted at 4/8/2008 by liraj
Make a comment  

Tuesday, April 01, 2008
Propósitos

Era meu propósito, nesta “segunda fase” de minhas notas sobre a tradução de poemas de Emily Dickinson, fazer uma revisão de textos do livro Alguns Poemas e elaborar uma errata. Pouco fiz até agora: mostrei um erro de transcrição em um único poema e elaborei um índice em ordem alfabética dos poemas originais, talvez mais útil do que o que saiu no livro, mas ele mesmo ainda sujeito a erros e omissões. A leitura dos textos não me revelou nenhum outro problema que não equívocos e defeitos nas próprias traduções, atribuíveis apenas a mim mesmo. Outros supostos erros tipográficos que vi na reprodução de alguns textos na Internet foram devidos a falhas de terceiros, quase todas explicáveis em função da ligeireza e despreocupação que são a característica mais evidente de certas áreas da mídia eletrônica. Melhor assim. Posso agora mudar o foco destas notas e me concentrar na simples revisão de meus textos – sem deixar de lado, é claro, algumas observações sobre como a Internet se apropria das palavras alheias, de uma forma “dialógico-intertextual” toda sua, com um flagrante desrespeito à produção intelectual e aos direitos autorais. Também pretendo voltar a comentar algumas das traduções que estou reunindo numa segunda coletânea de poemas de ED, a qual já conta com cerca de 250 textos quase prontos para publicação. Comentar uma tradução é fazer, através de cuidadosas releituras, uma profunda autocrítica, e esta é, em última análise, a forma mais segura de melhorar o próprio texto.

 

José Lira

 

Posted at 4/1/2008 by liraj
Make a comment  

Friday, March 28, 2008
Sobre o Índice

O livro Emily Dickinson: Alguns Poemas está dividido em três seções: “A áurea presença” (p. 41); “Uma arma carregada” (p. 205); e “O outro céu” (p. 295). Como explico na introdução (p. 21), cada uma dessas seções contém, respectivamente, um dos tipos de processos tradutórios que chamei de recriações, imitações e invenções. A fim de facilitar a localização dos textos, tanto no livro quanto nas fontes originais mais conhecidas, elaborei um índice alfabético dos poemas em inglês (desdobrado em dois, por problemas de espaço, nas duas notas anteriores), no qual constam as numerações de Johnson (J) e Franklin (F). O primeiro poema citado, “The brain is wider than the sky” (não usei maiúsculas nem pontuação no índice), está na p. 216 e a tradução, “O cérebro é mais amplo do que o céu”, na p. 217. Aproveito a ocasião para reafirmar que eventuais indagações ou sugestões sobre qualquer uma de minhas traduções serão bem-vindas. Como já salientei, estas notas têm a intenção de servir de errata e correção para uma (im)provável nova impressão do livro, e eu ficaria extremamente grato se algum(a) leitor(a) me apontasse um problema não detectado até agora.

 

José Lira

Posted at 3/28/2008 by liraj
Make a comment  

Índice - Parte II

Índice alfabético dos poemas - Parte II

 

Of all the souls that stand create (J664 F279), p. 292

Of the heart that goes in and closes the door (J1098 F1105), p. 140

Oh honey of an hour (J1734 F1477), p. 52

Oh life begun in fluent blood [excerpt] (J1130 F1156), p. 288

Oh shadow on the grass (J1187 F1237), p. 92

On my volcano grows the grass (J1677 F1743), p. 46

On that dear frame the years had worn (J940 F924), p. 218

On the bleakness of my lot (J681 F862), p. 208

One blessing had I than the rest (J756 F767), p. 214

One crucifixion is recorded only (J553 F670), p. 178

Over and over like a tune (J367 F406), p. 90

Our lives are Swiss (J80 F129), p. 96

Paradise is of the option (J1069 F1125), p. 196

Partake as doth the bee (J994 F806), p. 144

Pass to thy rendezvous of light (J1564 F1624), p. 220

Presentiment is that long shadow on the lawn (J764 F487), p. 140

Proud of my broken heart (J1736 F1760), p. 120

Purple is fashionable twice (J980 F896), p. 118

Remembrance has a rear and front (J1182 F1234), p. 116

September’s baccalaureate (J1271 F1313), p. 92

She rose to his requirement (J732 F857), p. 52

Silence is all we dread (J1251 F1300), p. 148

So bashful when I spied her (J91 F70), p. 76

So give me back to death (J1632 F1653), p. 196

So glad we are a stranger’d deem (J329 F608), p. 128

So has a daisy vanished (J28 F19), p. 138

So proud she was to die (J1272 F1278), p. 104

So set its sun in thee (J808 F940), p. 122

Society for me my misery (J1534 F1195), p. 160

Soft as the massacre of suns (J1127 F1146), p. 298

Some such butterfly be seen (J541 F661), p. 62

Soul take thy risk (J1151 F1136), p. 296

Speech is one symptom of affection (J1681 F1694), p. 80

Spring is the period (J844 F948), p. 172

Success is counted sweetest (J67 F112), p. 248

Surgeons must be very careful (J108 F156), p. 240

Surprise is like a thrilling pungent (J1306 F1324), p. 200

That I did always love (J549 F 652), p. 84

That it will never come again (J1741 F1761), p. 58

That love is all there is (J1765 F1747), p. 194

That sacred closet when you sweep (J1273 F1385), p. 144

That such have died enable us (J1030 F1082), p. 272

The auctioneer of parting (J1612 F1646), p. 278

The blunder is in estimate (J1684 F1690), p. 80

The brain is wider than the sky (J632 F598), p. 216

The brain within its groove (J556 F563), p. 132

The bustle in a house (J1078 F1108), p. 174

The chemical conviction (J954 F1070), p. 74

The definition of beauty (J988 F797), p. 312

The devil had he fidelity (J1479 F1510), p. 236

The difference between despair (J305 F576), p. 254

The distance that the dead have gone (J1742 F1781), p. 186

The doomed regard the sunrise (J294 F298), p. 268

The dying need but little (J1026 F1037), p. 288

The fact that earth is heaven (J1408 F1435), p. 154

The grave my little cottage is (J1743 F1784), p. 46

The heart has many doors (J1567 F1623), p. 110

The lady feeds her little bird (J941 F925), p. 132

The life we have is very great (J1162 F1178), p. 282

The loneliness one dare not sound (J777 F877), p. 158

The mind lives on the heart (J1355 F1384), p. 136

The missing all prevented me (J985 F995), p. 56

The mob within the heart (J1745 F1763), p. 142

The moon is distant from the sea (J429 F387), p. 160

The most important population (J1746 F1764), p. 176

The most triumphant bird (J1265 F1285), p. 110

The mountain sat upon the plain (J975 F970), p. 90

The ones that disappeared are back (J307 F549), p. 154

The overtakelessness of those (J1691 F894), p. 274

The pedigree of honey [version 1] (J1627 F1650), p. 162

The pedigree of honey [version 2] (J1627 F1650), p. 162

The poets light but lamps (J883 F930), p. 150

The products of my farm are these (J1025 F1036), p. 192

The riddle we can guess (J1222 F1180), p.64

The right to perish might be thought (J1692 F1726), p. 274

The smouldering embers blush (J1132 F1143), p. 134

The stimulus beyond the grave (J1001 F1001), p. 190

The vastest earthly day (J1328 F1323), p. 78

The sweetest heresy received (J387 F671), p. 44

The things we thought that we should do (J1293 F1279), p. 102

The vision pondered long [excerpt] (J646 F757), p. 200

The way I read a letter’s this (J636 F700), p. 310

The words the happy say (J1750 F1767), p. 246

There are two mays (J1618 F1637), p. 126

There is a solitude of space (J1695 F1696), p. 190

There is a zone whose even years (J1056 F1020), p. 282

These tested our horizon (J886 F934), p. 124

These fevered days to take them to the forest (J1441 F1467), p. 120

These strangers in a foreign world (J1096 F805), p. 312

They say that time assuages (J686 F861), p. 152

This is my letter to the world (J441 F519), p. 96

This quiet dust was gentlemen and ladies (J813 F1090), p. 62

Tis easier to pity (J1698 F1719), p. 166

To be alive is power (J677 F876), p. 142

To loose thee sweeter than to gain (J1754 F1777), p. 208

To make a prairie it takes (J1755 F1779), p. 308

To make one’s toilette after death (J485 F471), p. 134

To mend each tattered faith (J1442 F1468), p. 256

To see the summer sky (J1472 F1491), p. 306

Today or this noon (J1702 F1706), p. 300

Truth is as old as God (J836 F795), p. 260

Twas later when the summer went (J1276 F1312), p. 286

We learn in the retreating (J1083 F1045), p. 42

We’ll pass without the parting (J996 F503), p. 260

We lose because we win (J21 F28), p. 308

We never know we go when we are going (J1523 F1546), p. 248

We read in a tremendous book (s/n.o), p. 70

We shall find the cube of the rainbow (J1484 F1517), p. 216

When a lover is a beggar (J1314 F1330), p. 100

When night is almost done (J347 F679), p. 238

Whether my bark went down at sea (J52 F33), p. 106

Who has not found the heaven bellow (J1544 F1609), p. 116

Whoever disenchants (J1451 F1475), p. 60

Witchcraft was hung in history (J1583 F1612), p. 258

You cannot make remembrance grow (J1508 F1536), p. 258

Your thoughts don’t have words (J1452 F1476), p. 256

 

Obs.: As coleções de Thomas H. Johnson (J) e R. W. Franklin (F), ambas intituladas The Poems of Emily Dickinson e publicadas, respectivamente, em 1955 e 1998 pela Harvard UP, Cambridge, USA, são as mais usadas pelos críticos e pesquisadores. Além da numeração, há discrepâncias tanto no texto integral quanto na grafia e linearização de vários poemas.

 

Posted at 3/28/2008 by liraj
Make a comment  

Índice - Parte I

Índice alfabético dos poemas - Parte I

 

A charm invests a face (J421 F430), p. 184

A dimple in the tomb (J1489 F1522), p. 198

A door just opened on a street (J953 F914), p. 278

A little madness in the spring (J1333 F1356), p. 270

A long long sleep a famous sleep (J654 F463), p. 234

A moth the hue of this (J841 F944), p. 172

A sepal petal and a thorn (J19 F25), p. 302

A shade upon the mind there passes (J882 F1114), p. 128

A shady friend for torrid days (J278 F306), p. 240

A south wind has a pathos (J719 F883), p. 164

A thought went up my mind today (J701 F731), p. 262

A train went through a burial gate (J1761 F397), p. 186

A transport one cannot contain (J184 F212), p. 108

A visitor in marl (J391 F558), p. 264

A word is dead (J1212 F278), p. 302

Again his voice is at the door (J663 F274), p. 250

All but death can be adjusted (J749 F789), p. 234

All the letters I can write (J334 F380), p. 316

Ambition cannot find him (J68 F115), p. 152

Ample make this bed (J829 F804), p. 188

As from the earth the light balloon (J1630 F1651), p. 170

As subtle as tomorrow (J1713 F1748), p. 176

Auto da fe and judgment [excerpt] (J620 F686), p. 262

Autumn overlooked my knitting (J748 F786), p. 124

Away from home are some and I (J821 F807), p. 164

Back from the cordial grave I drag thee (J1625 F1649), p. 44

Beauty crowds me till I die (J1654 F1687), p. 202

Because I could not stop for death (J712 F479), p. 206

Before he comes we weigh the time (J834 F949), p. 306

Bind me I still can sing (J1005 F1005), p. 56

Bless God he went as soldiers (J147 F52), p. 138

Bloom is result (J1058 F1038), p. 72

By a flower by a letter (J109 F163), p. 166

By chivalries as tiny (J55 F37), p. 314

By homely gift and hindered words (J1563 F1611), p. 98

Come slowly Eden (J211 F205), p. 130

Confirming all who analyze (J1268 F1303), p. 84

Could mortal lip divine (J1409 F1456), p. 268

Crumbling is not an instant’s act (J997 F1010), p. 280

Death is a dialogue between (J976 F973), p. 100

Death sets a thing significant (J360 F640), p. 212

Departed to the judgment (J524 F399), p. 286

Did the harebell lose her girdle (J213 F134), p. 108

Distance is not the realm of fox (J1155 F1128), p. 300

Don’t put up my thread and needle (J617 F681), p. 146

Each life converges to some centre (J680 F724), p. 244

Each that we lose takes part of us (J1605 F1634), p. 280

Elysium is as far as to (J1760 F1590), p. 50

Essential oils are wrung (J675 F772), p. 78

Except the heaven had come so near (J472 F702), p. 106

Except the smaller size (J1067 F606), p. 60

Faith is a fine invention (J185 F202), p. 264

Faithfull to the end amended (J1357 F1386), p. 94

Fame of myself to justify (J713 F481), p. 202

Far from love the heavenly father (J1021 F1032), p. 194

Flowers well if anybody (J137 F95), p. 126

Forbidden fruit a flavor has (J1377 F1482), p. 230

From cocoon forth a butterfly (J354 F610), p. 232

Given in marriage unto thee (J817 F818), p. 74

God gave a loaf to every bird (J791 F748), p. 88

God is indeed a jealous god (J1719 F1752), p. 184

Had this one day not been (J1253 F1281), p. 298

Heart not so heavy as mine (J83 F88), p. 276

Her breast is fit for pearls (J84 F121), p. 218

Her smile was shaped like other smiles (J514 F335), p. 304

How destitute is he (J1477 F1509), p. 94

How many flowers fail in wood (J404 F534), p. 150

I asked no other thing (J621 F687), p. 86

I died for beauty (J449 F448), p. 224

I fear a man of frugal speech (J543 F663), p. 284

I found the words to every thought (J581 F436), p. 246

I gave myself to him (J580 F426), p. 68

I had no time to hate (J478 F763), p. 236

I have no life but this (J1398 F1432), p. 82

I heard a fly buzz when I died (J465 F591), p. 266

I held a jewel in my fingers (J245 F261), p. 230

I hide myself within my flower (J903 F80), p. 188

I know lives I could miss (J372 F574), p. 254

I like a look of agony (J241 F339), p. 270

I many times thought peace had come (J739 F737), p. 58

I never lost as much but twice (J49 F39), p. 318

I never saw a moor (J1052 F800), p. 118

I reason earth is short (J301 F403), p. 66

I send two sunsets (J308 F557), p. 156

I sing to use the waiting (J850 F955), p. 42

I started early took my dog (J520 F656), p. 226

I taste a liquor never brewed (J214 F207), p. 210

I thought the train would never come (J1449 F1473), p. 98

I took my power in my hand (J540 F660), p. 156

If I can stop one heart from breaking (J919 F982), p. 272

Impossibility like wine (J838 F939), p. 70

In ebon box when years have flown (J169 F180), p. 222

In snow thou comest (J1669 F1714), p. 170

In this short life (J1287 F1292), p. 296

Is heaven a physician (J1270 F1260), p. 136

It came at last but prompter death (J1230 F1221), p. 50

It dropped so low in my regard (J747 F785), p. 54

It is an honorable thought (J946 F1115), p. 192

It might be lonelier (J405 F535), p. 114

It’s easy to invent a life (J724 F747), p. 220

It’s such a little thing to weep (J189 F220), p. 284

It was not death for I stood up (J510 F355), p. 290

I’ve heard an organ talk sometimes (J183 F211), p. 48

I’ve seen a dying eye (J547 F648), p. 104

Lad of Athens faithful be (J1768 F1606), p. 224

Least rivers docile to some sea (J212 F206), p. 168

Light is sufficient to itself (J862 F506), p. 130

Lightly stepped a yellow star (J1672 F1698), p. 48

Look back on time with kindly eyes (J1478 F1251), p. 292

Luck is not chance it’s toil (J1350 F1360), p. 112

Mama never forgets her birds (J164 F130), p. 54

Me from myself to banish (J642 F709), p. 168

Memory is a strange bell (s/n.o), p. 102